Relacionamentos

Por que sempre escolho a pessoa errada? Ciladas que se repetem

É fácil terminar um relacionamento e colocar toda a responsabilidade sobre o outro. Mas aí vem o próximo, e o próximo, e a história se repete.

Ni OliveiraPor Ni Oliveira, psicóloga · · 4 min de leitura

Quando a mesma história se repete com pessoas diferentes, o problema raramente é azar ou "dedo podre". Costuma ser um padrão: carências, feridas e referências que nos levam a escolher, e a tolerar, o mesmo tipo de relação. A boa notícia é que padrão se reconhece, se entende e se muda. E tudo começa com uma pergunta honesta: como foi que eu escolhi?

Por que sempre escolho a pessoa errada?

É fácil terminar um relacionamento e colocar toda a responsabilidade sobre o outro. Mas aí vem o próximo, e o próximo, e a história se repete. Você não é obrigada a ficar numa relação que te faz mal. Mas quando a mesma cilada se repete com pessoas diferentes, vale uma pergunta honesta: como foi que eu escolhi? Quais são as brechas em mim que me fizeram cair nisso de novo?

Essa pergunta não é para gerar culpa. É para devolver poder. Se a escolha passa por você, a mudança também passa.

Dedo podre existe?

A expressão é engraçada, mas engana. "Dedo podre" sugere um defeito de fábrica, algo que você não controla. Na prática, o que existe são critérios, muitas vezes inconscientes, que guiam a atração e a decisão. E a pesquisa confirma que esses critérios tendem a se repetir: um estudo que acompanhou pessoas ao longo de vários anos encontrou que os novos parceiros costumavam ter personalidade parecida com a dos anteriores (Park e MacDonald, 2019). Não é maldição. É tendência, e tendência pode ser percebida.

Por que sempre atraio o mesmo tipo de homem?

Muita gente faz a pergunta com "atrair", como se fosse um ímã. Mas, entre atrair e escolher, existe um espaço. Você pode até despertar o interesse do mesmo tipo de pessoa. A questão é o que acontece depois: o que você aceita, o que você ignora, quanto tempo você fica. É nesse espaço que o padrão se repete, ou se quebra.

Às vezes o tipo que se repete é conhecido de longa data. O jeito de tratar, de se ausentar ou de controlar lembra alguém da nossa história, e o familiar parece seguro, mesmo quando machuca. Escrevi sobre isso em quebrar padrões familiares.

Carência afetiva leva a escolhas erradas?

Carência é humana. Mas uma carência extrema nos deixa despreparadas para um relacionamento. Determinados traumas, carências e vulnerabilidades nos predispõem a entrar em ciladas, muitas vezes com pessoas imaturas, que não estão prontas para viver algo a dois, que é muito sério.

A pesquisa mostra esse mecanismo com clareza: pessoas com mais medo de ficar sozinhas tendem a aceitar parceiros menos atenciosos e a permanecer em relações menos satisfatórias (Spielmann e colegas, 2013). O medo da solidão baixa a régua. Alguns sinais de que a carência está decidindo por você:

Quando a carência vem de muito longe, vale olhar para as feridas emocionais que ela carrega.

Por que uma lista de qualidades não resolve?

Não adianta ter uma lista de tudo o que o outro precisa ser. Lista não forma caráter e não te sustenta quando você cai. Não é sobre o outro. Nunca foi só sobre o outro. É sobre quem você está se tornando enquanto espera. Isso muda o tipo de escolha, muda o tipo de relação e muda o tipo de amor que se constrói.

Além disso, a lista costuma alimentar a idealização: a pessoa marca três itens e a imaginação preenche o resto.

Que critérios observar antes de um relacionamento?

Muita gente entra num casamento que vira um verdadeiro inferno e só depois pensa em critérios. Pensar antes não é frieza: é cuidado. Observe como a pessoa trata os outros, como lida com um não, como fala da própria família, se existe diálogo e se as palavras combinam com as atitudes.

Como quebrar um padrão de relacionamento?

Reconhecer já é começar.

Antes de amar, aprenda a existir.

Referências

Texto revisado em outubro de 2026. Conteúdo educativo: não substitui acompanhamento psicológico.

Material gratuito

Antes de Amar: 12 perguntas para fazer a si mesma

Um roteiro da Ni Oliveira para responder com calma antes da próxima história. Receba o PDF no seu e-mail.

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